
“Esse evento está muito maravilhoso e o Rio São Francisco é muito maravilhoso para a gente. A gente pode plantar e colher feijão, milho, produzir manga. Ele é muito maravilhoso e muito produtivo”. Assim como o senhor Cosme de Jesus, estudante da EJA na Escola Municipal Joca de Souza Oliveira, que participou animado das apresentações culturais da campanha “Eu Viro Carranca para Defender o Velho Chico”, nessa quarta-feira (3), e elogiou a programação, muitas outras pessoas reconhecem a importância do Velho Chico para a vida, a economia e a cultura da região.
Esse sentimento de pertencimento e cuidado foi o que motivou a mobilização, que é realizada anualmente, no dia 3 de junho, Dia Nacional em Defesa do Rio São Francisco. A mobilização atracou sua embarcação na cidade e Juazeiro se transformou no universo das carrancas. Elas chegaram com toda a sua força e simbologia trazendo conscientização, mobilização e engajamento para lembrar que o rio da integração é um patrimônio que depende das muitas mãos que ajudam a protegê-lo.
A campanha “Eu viro carranca para defender o Velho Chico” é idealizada pelo Comitê de Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBHSF), e nasceu em 2014 com o objetivo de engajar a sociedade na preservação e revitalização do rio. A carranca é o símbolo da campanha por ser culturalmente ligada à proteção. Em Juazeiro, a campanha contou com a parceria da Prefeitura Municipal de Juazeiro, através da Secretaria de Meio Ambiente (SEMA) e superou as expectativas.
A programação teve início logo pela manhã no bairro Angari. Às margens do Rio São Francisco, um momento simbólico de peixamento envolveu alunos da rede municipal de ensino, órgãos de preservação e agentes públicos que se uniram a para soltura de cerca de 50 mil peixes nativos nas águas do Velho Chico, representando a renovação da vida e a esperança de um futuro mais sustentável para o rio e para as novas gerações.

O superintendente da Codevasf, Nino Rangel, explicou a importância da ação. “Esse é um dia em que a gente fortalece as ideias e as ações de recuperação e ajuda ao Rio São Francisco. Ações essas que precisam ser diárias. Esse peixamento é muito importante porque foi realizado com peixes nativos do Rio São Francisco e esperamos com essa e outras ações fortalecer ainda mais este rio que é tão importante e gera tanta riqueza”, afirmou.
Durante a tarde, a programação seguiu com uma mesa-redonda que reuniu especialistas, estudantes e representantes de instituições de ensino e também de pesquisa, como Embrapa, Univasf, IFSertão, UPE e UNEB. O encontro trouxe dados de pesquisas sobre mudanças climáticas e impactos ambientais, além de promover debates sobre educação ambiental e o papel fundamental da juventude na construção de soluções para os desafios do presente e do futuro.
O presidente do CBHSF, Cláudio Ademar, destacou que cerca de 18 milhões de brasileiros dependem diretamente das águas do rio ao longo de sua bacia e aproximadamente 12 milhões são beneficiados indiretamente por meio de obras de integração e segurança hídrica, ressaltando a importância do Velho Chico para cerca de 30 milhões de pessoas. “O Rio São Francisco é o rio da integração nacional, não é pouca coisa e nós precisamos cuidar dele. O Velho Chico, para mim, não é somente o recurso hídrico, mas é o mental, é a mãe terra, são as comunidades tradicionais ribeirinhas, pescadores artesanais, indígenas, quilombolas e todos os múltiplos usos de suas águas. Precisamos, de fato, cuidar do futuro desse rio, para a nossa geração e também garantir água para as gerações futuras”, pontuou Ademar.

Para o secretário de Meio Ambiente, Cláudio Fernandes, é urgente transformar conscientização em atitudes permanentes. “Defender o Rio São Francisco é uma responsabilidade coletiva. Cada ação de preservação, cada atividade de educação ambiental e cada gesto de cuidado contribuem para garantir que o Velho Chico continue cumprindo seu papel social, ambiental e econômico para milhões de brasileiros. Precisamos fortalecer essa cultura de proteção todos os dias”, afirmou.
Após o momento de debates, o Angari voltou a ser palco das atividades da campanha. Desta vez, um emocionante cortejo de embarcações tomou conta das águas do rio, proporcionando um espetáculo de cores, cultura e pertencimento. Os ribeirinhos mostraram nesse cortejo que continuam existindo e resistindo em favor do Velho Chico, navegando por suas águas e tirando delas seu sustento e sua força todos os dias.

O prefeito de Juazeiro, Andrei Gonçalves, destacou a importância da campanha e a simbologia das muitas mãos que se unem em defesa do rio. “Quando falamos do Rio São Francisco, falamos da nossa identidade, da nossa cultura, da nossa economia e da vida de milhares de famílias. As muitas mãos que participam desta campanha aqui em Juazeiro e nas outras três cidades da bacia representam a união necessária para proteger esse patrimônio que pertence a todos nós.”, ressaltou.
Noite de muita música e cultura
A programação também contou com apresentações culturais que celebraram a identidade ribeirinha e a riqueza cultural do Vale do São Francisco. Passaram pelo palco atrações como o Grupo Boi Carranca, Nilton Freitas, Maviael Mello, João Sereno, Peu Bandeira, Luana Blu e Targino Gondim.
O público também teve acesso a espaços de conhecimento e troca de experiências por meio dos estandes de instituições de ensino e pesquisa, que apresentaram projetos voltados à educação ambiental, sustentabilidade e preservação dos recursos hídricos. Além de feiras artesanais e de orgânicos com empreendedores locais.
Realizada simultaneamente em Juazeiro e mais outras três cidades da bacia hidrográfica, a campanha segue proclamando a necessidade de união entre poder público, instituições, pesquisadores e sociedade civil para garantir a proteção do Rio São Francisco.
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Texto: Thamires Costa/Ascom PMJ- SEMA
Fotos manhã e tarde: Anamauê
Fotos de fim de tarde e noite: Gilson Pereira














