A Patrulha Maria da Penha da Guarda Civil Municipal (GCM) de Juazeiro participou, nesta sexta-feira (29), de uma roda de conversa realizada no auditório da Policlínica do Hospital Universitário da Universidade Federal do Vale do São Francisco (HU-Univasf). O encontro teve como tema “Da notificação à ação: um processo a ser (re)construído no fluxo de atendimento à criança e ao adolescente vítima de violência”.
A iniciativa teve como objetivo fortalecer e otimizar o acolhimento de crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade atendidos pelo HU-Univasf, em Petrolina (PE), além de discutir a reconstrução de um fluxo unificado de atendimento que garanta diagnósticos mais ágeis, notificação compulsória e integração entre os órgãos que compõem a Rede de Proteção.
No Brasil, o atendimento médico e psicológico a crianças e adolescentes vítimas ou testemunhas de violência é fundamentado na Lei nº 13.431/2017, que institui o protocolo da Escuta Especializada. A legislação tem como principal objetivo assegurar o acolhimento adequado, evitando a revitimização e garantindo que vítimas sejam ouvidas em ambiente apropriado, por profissionais capacitados, sem a necessidade de interrogatórios repetitivos.
A Patrulha Maria da Penha da GCM de Juazeiro desempenha um papel essencial no enfrentamento à violência doméstica e familiar no município. Para a coordenadora da patrulha, Magnólia da Cruz, o primeiro contato com a vítima é um momento fundamental de acolhimento, escuta e construção de confiança.
“Esses encontros são importantes porque representam uma oportunidade de reforçar os protocolos de atendimento com escuta qualificada, sem julgamentos e focada no acolhimento. Isso fortalece a confiança nos órgãos de proteção e encoraja a vítima a buscar ajuda e romper o ciclo da violência. Foi uma rica experiência compartilhar como atua a Patrulha Maria da Penha de Juazeiro no enfrentamento à violência doméstica, sempre destacando que esse trabalho acontece em rede, onde cada instituição possui uma função específica e igualmente importante”, destacou.
A violência contra crianças e adolescentes continua sendo uma realidade preocupante no país, contribuindo para elevados índices de mortalidade e morbidade. As experiências vividas durante a infância e a adolescência, sejam positivas ou negativas, influenciam diretamente a formação da personalidade e o desenvolvimento emocional na vida adulta.
Especialistas alertam que a violência pode gerar sentimentos como medo, desamparo, culpa e raiva. Quando não são adequadamente acolhidos e trabalhados, esses sentimentos podem resultar em comportamentos prejudiciais e contribuir para a perpetuação dos ciclos de violência ao longo das gerações.
Em casos de violência contra crianças e adolescentes, a denúncia é fundamental. A população pode acionar o Disque 100, canal nacional de proteção aos direitos humanos, ou o Ligue 180, central de atendimento à mulher.
Em Juazeiro, os canais de comunicação da Guarda Civil Municipal são o telefone fixo (74) 3611-9880 e o número 153, que possui ligação gratuita. A Patrulha Maria da Penha também atende pelo WhatsApp: (74) 99967-2006.


