
A Secretaria de Políticas para a Mulher e Juventude de Juazeiro promoveu, nesta terça-feira (14), uma formação especial voltada ao público interno para refletir sobre o verdadeiro significado do 14 de maio — o dia seguinte à assinatura da Lei Áurea. A atividade reuniu toda a equipe que compõe a secretaria.
“Eu costumo dizer: no dia 13 foi assinada a Lei Áurea e no 14 a princesa esqueceu de assinar a carteira de trabalho. Começa ali uma falsa liberdade, sem reparação, sem dignidade, sem políticas públicas”, afirmou Katussia Almeida, assessora de Política de Saúde das Mulheres
“É um marco do racismo estrutural que ainda define quem tem ou não tem acesso aos direitos básicos. Por isso estamos em marcha, seguimos em marcha pela reparação e pelo bem viver. Damos voz e vez à nossa juventude e às nossas mulheres, porque esse espaço ancestral é de todos, de todas e de todes nós”, completa.
A formação contou com uma roda de conversa com o professor e doutor em Educação e Contemporaneidade, Antônio Carvalho, que destacou as consequências de fatos históricos que hoje reflete nos dias atuais.
“O 14 de maio é o dia seguinte à abolição, e é esse dia que mais nos interessa. Ainda hoje, homens e mulheres negras enfrentam subemprego, exclusão da educação, da saúde, da moradia. Isso é reflexo direto do abandono histórico. Precisamos rever como o estado lida com essas populações e pensar políticas públicas com base na reparação e na interseccionalidade.”

O evento integra um calendário de ações afirmativas desenvolvidas pela Secretaria de Políticas para a Mulher e Juventude de Juazeiro em 2025. A proposta é fomentar debates estruturantes sobre raça, gênero, território e juventude, reafirmando o compromisso da gestão municipal com a justiça social, os direitos humanos e o bem viver.
“A intenção é que a equipe se aproprie disso, para que enquanto pessoas compreendam isso e também ajude a lidar com os segmentos com os quais a gente trabalha, mulheres e jovens, que em sua maioria são negros e negras”, reforça a secretária da SMJ, Érica Daiane.
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Texto: Diana Silva – Ascom/PMJ