Tradição dos penitentes marca o período da quaresma em Juazeiro

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Tradição dos penitentes marca o período da quaresma em Juazeiro

Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes - SECULTE

Autor: Ellen Cecilia

Tradição dos penitentes marca o período da quaresma em Juazeiro

É chegado o período da Quaresma. Com ele, os Penitentes de Juazeiro (BA) saem às ruas, cobertos com vestes brancas, em passos firmes, para cumprir um ritual que atravessa gerações. A tradição, enraizada no catolicismo popular, resiste há mais de um século e segue como uma das expressões de fé mais antigas da cidade. Entre […]

31/03/2025 8h44 Atualizado há 1 ano atrás

É chegado o período da Quaresma. Com ele, os Penitentes de Juazeiro (BA) saem às ruas, cobertos com vestes brancas, em passos firmes, para cumprir um ritual que atravessa gerações. A tradição, enraizada no catolicismo popular, resiste há mais de um século e segue como uma das expressões de fé mais antigas da cidade.

Entre a Quarta-feira de Cinzas e a Sexta-feira da Paixão, três vezes por semana, os penitentes percorrem as ruas em oração, entoando “benditos”, cânticos de lamento que ecoam na noite. No percurso, o grupo, em oração pelos mortos, acende velas em cruzeiros espalhados pela cidade e tem no cemitério o ponto alto de sua caminhada. Os passos e rezas também se cruzam entre capelas e locais onde ocorreram mortes trágicas.

“Durante a caminhada, passa-se por sete estações, que representam as sete dores de Jesus Cristo e reza-se por todas as almas, independentemente de qual foi a causa da morte. Reza-se por todas.”, explica Emerson Oliveira, conhecido como Pai Bimbo, que participou do ritual por quase 20 anos.

O grupo se divide em dois principais “cordões”, como é chamada a fila de participantes. As alimentadeiras de alma são responsáveis pelas orações e pelos cantos. Já os disciplinadores seguem em um ato de penitência e autoflagelo.

Na frente da procissão, segue o madeiro, uma grande cruz que abre caminho para o grupo. Enquanto isso, o som característico da matraca, instrumento musical rudimentar, marca o compasso da caminhada e reforça o caráter solene do ritual.

Em seu auge, Juazeiro chegou a ter cinco cordões de penitentes. Hoje, a tradição resiste no grupo liderado por Jesulene Ribeiro, conhecida como Nenenzinha. Apesar da diminuição no número de participantes, a fé e o compromisso dos penitentes permanecem inabaláveis.

“É uma tradição centenária que hoje está se acabando. Os mais jovens não querem assumir essa responsabilidade, mas seria muito importante que ela continuasse, porque é um momento muito bonito de reflexão e de oração por aqueles que já se foram”, afirma Emerson.

A tradição também persiste no interior do município, em regiões como o Salitre e o Rodeadouro. “Estamos mapeando quantos cordões existem na região. Até agora, sabe-se que na sede há apenas um cordão, que conta ainda com jovens e crianças, além de cerca de cinco no interior”, explica o secretário de Cultura Turismo e Esportes Targino Gondim.

 

 

Apoio da prefeitura de Juazeiro

Em atenção à atividade histórica, a Secretaria de Cultura, Turismo e Esportes (Seculte) tem promovido ações como a limpeza dos locais por onde passa a caminhada, bem como limpeza, capina e pintura da área dos cruzeiros, além de iluminação de vias e garantia de segurança para a peregrinação.

De acordo com o secretário da pasta, a valorização das manifestações culturais é fundamental para preservar a identidade e a história do município.

“Os penitentes de Juazeiro são de extrema importância, passando essa tradição de geração em geração. A gente precisa manter esse legado tão forte em Juazeiro e fazer o possível para que essa tradição se perpetue”, comenta Targino.


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