
Todo dia é dia de feira – e de conhecer e apreciar a cultura agrícola, os produtos de medicina tradicional e as belezas do artesanato juazeirense. Um pouco de tudo isso pode ser encontrado no Mercado Municipal Joca de Souza que, há dois anos, ganhou um novo espaço físico, e segue carregando consigo parte da história de Juazeiro. Em atenção ao marco, nesta sexta-feira (28), membros da Autarquia Municipal de Abastecimento (AMA), do Sebrae e Agência de Desenvolvimento Econômico, Emprego e Renda, estiveram no local, para conversar com os permissionários sobre suas demandas.
O entreposto abriga mais de 206 boxes de feirantes, além de centenas de pessoas que o visitam diariamente. No entanto, o novo mercado, entregue pelo governo estadual no final de 2022, lidou, ao longo dos anos, com uma baixa ocupação desses espaços, com parte dos boxes fechados, embora possuíssem proprietários. Hoje, o número está ampliado. No entanto, de acordo com o diretor-presidente da AMA, Celso Leal, as taxas ainda estão reduzidas. Por isso, essa é uma das maiores queixas dos permissionários e um dos principais focos atual da gestão.
“Há pessoas que possuem boxes, mas que estão comercializando do lado de fora. Com isso, segundo os permissionários, acontece uma dispersão dos clientes, dificultando as vendas. Por essa razão, estamos trabalhando para mudar tal quadro, fazendo a busca ativa dessas pessoas e convidando para um diálogo”, comenta.
Além das conversas com os feirantes, a data também foi marcada pela presença da imprensa. Na ocasião, o programa Sem Fronteiras Itinerante, da Rádio Juazeiro, esteve com uma base no mercado, realizando uma agenda de entrevistas com a equipe da AMA e os permissionários.

Quem faz o Joca de Souza?
No mercado, há muitas histórias, como a de Benedito Ângelo. Apresentado como o feirante mais antigo de Juazeiro, o permissionário, de 87 anos, faz parte do Joca de Souza há 65 anos. Ele conta que, quando conheceu o mercado, ele era localizado em frente à Orla da cidade. De lá para cá, já passou pelos arredores do camelódromo 2 de julho, entre outros locais. Hoje, ele e sua filha, Sônia, possuem pontos em uma das entradas do novo Joca. Ele comenta que há desafios na profissão, mas destaca: “estou alegre e satisfeito, porque tenho o meu lugar”.
Reinaldo Vieira, que vende frutas e legumes, herdou a profissão do pai, assim como a filha de Benedito. “Ele me trazia pequeno para cá. Naquela época, não tinha tecnologia e nossa diversão era aqui”, relata.
Permissionário há 35 anos, Vieira relembra que, antes dos grandes mercados, o Joca era a principal fonte de produtos para a população.“Por isso, o mercado é a vida da nossa gente, sua sobrevivência e história”, completa.
É por isso que, de acordo com Celso Leal, o mercado tem um valor imensurável para o comércio local, pois é um ícone da tradição e da história de Juazeiro. Para o diretor-presidente da AMA, a visita e as entrevistas realizadas nesta sexta-feira foram uma oportunidade de reforçar esse vínculo e discutir as melhorias necessárias, desde que o mercado deixou de ser um ocupante das ruas e passou a ter o seu próprio espaço.
“Este é um momento especial para fortalecer o diálogo sobre o mercado, que carrega a memória da nossa cidade, e para compreender as dificuldades que ele enfrenta”, destacou.
Ascom PMJ